O quinto divo?

Em matéria publicada no “The New York Times”, seção “Música”, em 14 de Outubro de 2010, assinada pelo jornalista Michael Write, de Londres, intitulada “The Great Tenor Hope (Just Ask Him)”, Vittorio Grigolo, que emergiu, recentemente, como a maior revelação no cenário da ópera, revelou que foi convidado por Simon Cowell para fazer parte do Il Divo, antes da formação definitiva do grupo.

Vittorio tem 33 anos e começou sua carreira no Vaticano,  cantando no Coro da Capela Sistina. Depois, ainda muito jovem, atuou em óperas, tais como “Tosca”, de Giacomo Puccini, “L’Elisir d’Amore”, de Gaetano Donizetti e libreto de Felice Romani e, na Ópera de Viena,  “Il Turco in Italia”, de Gioachino Rossini.  

Após as experiências operísticas iniciais, Vittorio mudou seu repertório, passando a integrar o segmento da pop-ópera. Foi quando recebeu o convite de Simon Cowell, que estava a procura de integrantes para o conjunto vocal ainda em processo de formação e que, mais tarde, seria chamado de Il Divo. Vittorio se juntou ao grupo, mas não por muito tempo, cerca de 2 ou 3 meses. Fizeram, juntos, algumas gravações, que não puderam ser lançadas, porque ele não assinou o contrato. O tenor italiano ficou na dúvida em assumir o compromisso e ter que abandonar a ópera.

Isto não significa que abandonou a pop-ópera. Fez, em seguida, um CD romântico, intitulado “In the Hands of Love”, que inclui duetos com Katherine Jenkins.

Prosseguiu, paralelamente, com papéis na ópera,  e assinou um contrato com a Sony, para gravar seis álbuns em seis anos, tendo lançado o primeiro com o nome de ” O Tenor Italiano”.

Deixou a Itália para se fixar na Suíça, em Zurique, e atualmente atua em Nova Iorque, na Metropolitan Opera,  interpretando o papel de Rodolfo, em La Bohéme, de Puccini.

O artigo traz trechos de uma pequena entrevista com o artista, entre os quais esta declaração, traduzida do texto original, em inglês: “Acho que perdi um monte de dinheiro. Mas eu ganhei muito respeito. Isto é algo que você não pode comprar”.

A declaração acima provocou polêmicas entre fãs do Il Divo, mas não me incluo na controvérsia. Chamo a atenção para o fato de que Simon Cowell precisou de dois anos para compor o grupo. Ele estabeleceu como requisitos experiência e talento e creio que todos os eleitos tiveram dúvidas em deixar para trás suas carreiras solo.  Lembro que Carlos Marín fez questão de falar de forma clara sobre isto e que ficou muito hesitante em deixar sua carreira na ópera.

O convite para Vittorio Grigolo compor o grupo mostra o quanto Carlos Marín, David Miller, Sébastien Izambard e Urs Bühler são talentosos. Para mim não foi surpresa saber sobre o convite de Simon.

Na verdade, nós, fãs, ganhamos Il Divo e a ópera, Vittorio Grigolo.

Bravo!!!

A entrevista original está no link:

http://www.nytimes.com/2010/10/17/arts/music/17grigolo.html?_r=2&sq=grigolo&st=cse&scp=2&pagewanted=all

Observo que o papel atualmente interpretado por Vittorio – Rodolfo – já foi  de David Miller, na produção feita em 2002 por Baz Luhrmann para La Bohéme, de Puccini. E foi  o divo norte-americano o tenor escolhido por Simon para a formação definitiva do grupo.

Assistam ao vídeo promocional de “Il Mio Miracolo”, do álbum “In the Hands of Love”:

  

Nunca é demais para os fãs recordarem as interpretações operísticas de David Miller, em carreira solo, como esta de Che Gelida Manina, da ópera La Bohéme, ocorrida em dezembro de 2007, como parte do concerto da Chicagoland Pops Orchestra, em Rosemont :

Uma fã fez um comentário e eu peço licença para  Sarah Joy e assino embaixo:

“God I just love this man”.

E acrescento: God, I just love these men!!!

 

 

 

 

4 pensamentos sobre “O quinto divo?

  1. Bom dia, Sílvia,
    Realmente, manter este blogue envolve uma certa dose de sacrifício, embora sobrepujado pelo prazer de homenagear meus idolos.
    Acompanho a carreira de VG há um certo tempo. Para mim não foi tão surpreendente saber que ele foi convidado para integrar Il Divo.
    Entendo que os fãs possam estar chateados com ele, mas não compartilho da celeuma.
    Sou defensora da liberdade de opinião. Ele optou pela ópera onde entende que tem mais respeito como artista.
    Pergunto? Será que VG está errado? Pois é, acho mais adequado refletir do que polemizar.
    Um grande abraço,

  2. Lú, muito bom o artigo!

    Mas, como os demais fãs, fiquei muito, muito indignada com a declaração dele. Deu a entender que o respeito e a carreira no Il Divo seriam incompatíveis.

    Ele se beneficia, mesmo que indiretamente, do sucesso de Il Divo como pop-ópera. Como acontece na cultura em geral, o clássico diluído funciona como ponte de acesso a ele próprio concentrado.

    Beijo e até breve!

    • Oi, Sílvia,
      Tudo bem?
      Infelizmente não tenho tempo para escrever da maneira como gosto. Neste caso, doei um pouco mais do meu escasso tempo para falar sobre um assunto que me despertou um certo interesse.
      Quanto à declaração de Vittorio, não creio que comporte a incompatibilidade que você alega. O que ele disse é que na ópera ele tem MAIS respeito. Trata-de uma opinião valorativa de grau.
      Quanto a VG se valer do sucesso do Il Divo, não creio que isto seja possível, porque a ópera é um meio independente em relação ao cenário pop.
      Ademais, somente foi possível saber que VG quase chegou a integrar o Il Divo, graças a esta entrevista recente, que aconteceu porque chamou a atenção da midia por estar atuando na Metropolitan Opera de Nova Iorque.

      Um abraço para você e também para todos os leitores deste blogue. Todos são bem vindos!

      • Lú, estou muito bem, obrigada. Espero que você esteja ótima.

        Infelizmente não tenho tempo de responder como gostaria ao que você disse a respeito da minha opinião.

        Contudo, publicarei essa entrevista em breve no Liberté e lá elucidarei tais minúcias.
        Você está convidada a ler e comentar também.

        Tenho certeza de que compreende minha correria.

        Uma ótima semana para você!

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