Todo azul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

… e então o Menino Pequeno correu pelo campo com olhos fixos no Céu.
Ele era tão lindo quanto o Pássaro Azul que acompanhava com o olhar.
Tudo era Azul!
A Alma do Menino,
o Céu
e o Pássaro.

Pensou que tudo tem um nome e desejou chamar
seu Pássaro de Santí.
Santí vinha todas as manhãs,
quando o sol chegava no Céu,
e bicava o vidro da janela do quarto do Menino.
E mesmo que o sono o convidasse a continuar na cama,
o Menino cedia a sedução pura e dócil de seu maior amigo
e pulava para abrir a janela.
Eram únicos no mundo dos Belos!
Talvez por isso fossem tão solitários
e tão incrivelmente apaixonados um pelo outro.
Podia chover, fazer frio, garoar, fazer sol…
Santí estaria ali com certeza.
Até que o Menino foi crescendo e Santí também.
Um dia, Santí estava pousado no braço do Menino de olhos azuis
comendo suas sementes
que o Menino cuidadosamente separava para ele
quando o Menino falou de um jeito como nunca tinha falado antes:
– Santí, preciso contar para você um segredo!
– O Tempo trouxe para o meu coração um Amor! É sério!
– Agora divido meu bom sentir entre você e a mais bela e pura de todas as meninas que já vi nesse mundo.
– Santí, estou apaixonado!
O Pássaro comia e olhava para o Menino Crescido e certamente entendia tudo… tudinho!
No dia seguinte,
como em todos os dias,
o sol chegou e Santí bicou a vidraça do Menino Crescido.
Quando o Menino abriu,
lá estava o Pássaro Azul com uma fêmea linda,
Azul mais clarinho,
um pouco menor do que Santí
mas muito,
muito graciosa.
Dos olhos azuis do Menino Crescido rolaram duas lágrimas que se misturaram ao mais belo sorriso que o Menino ja havia dado.
Santí veio dizer ao Menino que,
como ele,
também estava apaixonado
e que SEMPRE,
por todos os dias,
entendeu seus segredos, brincadeiras e pilhérias.
A Vida,
sem deixar de ser Vida,
foi generosa com os sonhos de Santí e do menino Crescido.
Hoje eles não se encontram mais
mas o Menino
já de cabelos brancos e com os mesmos lindos olhos azuis
sente Santí pousado no seu braço todos os dias.
E mal o sol chega,
o Menino de cabelos brancos acorda.
Todos os dias ele acorda e olha para a janela
que já não é mais a mesma.
Olha para a janela e confessa para si próprio…
– Hoje já não sei quem nesse mundo foi o maior dono do meu coração…
Suspira,
aperta seu travesseiro contra o rosto
e volta a dormir.

Santí,
o Pássaro Azul,
vive no Azul dos olhos
do Menino de cabelos brancos.

E o Menino mistura saudade à felicidade de ter histórias para lembrar!

Se temos em nós as lembranças,
então a Vida nunca acaba.

                                                                                  “O Pássaro Azul”  –  Elizabeth A. Dana
 

 

3 pensamentos sobre “Todo azul

  1. Mausa,
    Esta prosa poética me fez chorar. Milhares de autores não conhecidos apresentam trabalhos de grande qualidade. Aproveito este “Intermezzo” do Il Divo para homenageá-los com fragmentos literários, que seleciono com carinho, de autores consagrados e de outros que não são famosos, mas muito inspirados e talentosos.
    Bjs.

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